Afastado por vício em apostas: INSS registrou 377 casos até agosto, mais que em todo 2025
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O número que chamou atençãoComo a curva subiuQuanto custaComo funciona o benefícioPor que o número real pode ser maiorOnde buscar ajudaPerguntas frequentesFontesO número que chamou atenção
O vício em apostas já aparece nas estatísticas de benefício do INSS. De janeiro a agosto de 2026, foram 377 afastamentos do trabalho por jogo patológico, o maior número da série. Em todo o ano de 2025, tinham sido 312.
Os dados são de levantamento do g1 com base em informações da Previdência Social, reproduzido pelo NSC Total e pelo Portal Contábeis. A classificação usada é o CID F63.0, código da Classificação Internacional de Doenças para o jogo patológico.
Como a curva subiu
Segundo o Portal Contábeis, em 2018 foram só 8 afastamentos com esse código. Os números ficaram perto desse patamar até 2022 e passaram a crescer a partir de 2023.
Desde 2018, a conta chega a 914 afastamentos: 654 de homens e 260 de mulheres.
Por estado, o ranking acumulado é liderado por:
| Estado | Afastamentos desde 2018 |
|---|---|
| São Paulo | 297 |
| Minas Gerais | 110 |
| Rio Grande do Sul | 76 |
| Rio de Janeiro | 68 |
| Paraná | 58 |
| Santa Catarina | 52 |
Quanto custa
Até agosto de 2026, os benefícios ligados ao transtorno somaram R$ 1,9 milhão. Desde junho de 2023, foram pelo menos R$ 4,8 milhões. Segundo o levantamento, o gasto de junho de 2026 foi seis vezes maior que o de junho de 2023.
O NSC Total informa valor médio de benefício de R$ 2.727 para homens e R$ 2.143 para mulheres.
Como funciona o benefício
Quem está nessa situação não recebe um auxílio específico para apostas. O caminho é o mesmo de qualquer doença que impeça o trabalho:
- o benefício é o auxílio por incapacidade temporária, nome atual do auxílio-doença;
- é preciso ter qualidade de segurado do INSS e, em regra, 12 contribuições mensais de carência;
- a incapacidade tem de passar de 15 dias consecutivos;
- a perícia médica federal precisa confirmar a incapacidade. O pedido pode ser feito todo on-line, com análise dos documentos enviados, no sistema chamado Atestmed.
Segundo o NSC Total, o valor é proporcional à média salarial de cada um, por isso varia de pessoa para pessoa.
Por que o número real pode ser maior
A própria Previdência alerta para subnotificação. Segundo o Portal Contábeis, pessoas com dependência em apostas também podem ser afastadas com diagnóstico de ansiedade ou depressão, e esses casos não entram na contagem do F63.0.
Os dados também só incluem quem contribui para o INSS e ficou afastado por mais de 15 dias. Quem trabalha sem contribuir não aparece.
Onde buscar ajuda
O pedido é feito pelo site ou aplicativo Meu INSS, com login gov.br. É preciso anexar atestado legível com identificação do segurado, CID ou descrição da doença, data, tempo estimado de afastamento e assinatura do profissional. Se o pedido for negado, o prazo de recurso é de 30 dias a partir da ciência da decisão.
O tratamento do transtorno é feito pela rede de saúde, com indicação médica.
Para quem está endividado por apostas, vale redobrar a atenção com ofertas de crédito em nome de benefício. Golpistas costumam usar o nome do INSS em mensagens, como mostramos em falso bloqueio por biometria.
Perguntas frequentes
Vício em apostas dá direito a afastamento pelo INSS?
Pode dar, se a perícia médica do INSS confirmar que a pessoa está incapaz para o trabalho por mais de 15 dias. O benefício é o auxílio por incapacidade temporária.
Quantos afastamentos houve em 2026?
Foram 377 de janeiro a agosto de 2026, segundo levantamento do g1 com dados da Previdência. Em todo 2025, foram 312.
Qual código de doença aparece nesses dados?
O CID F63.0, que identifica o jogo patológico.
Como pedir o benefício?
Pelo site ou aplicativo Meu INSS, com login gov.br, anexando atestado com CID, data, tempo estimado de afastamento e assinatura do profissional. Em regra, o INSS exige 12 contribuições mensais de carência.
Os números mostram todos os casos?
Não. A Previdência alerta para subnotificação: pessoas com dependência em apostas podem ser afastadas com outro diagnóstico, como ansiedade ou depressão.
Fontes
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