Ônibus grátis no fim de semana: governo calcula R$ 12 bi, e setor fala em até R$ 20,8 bi por ano
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O que está em jogo para quem usa ônibusQuanto cada um calculaPor que a conta muda tantoO que ainda não está definidoO que muda hojePerguntas frequentesFontesO que está em jogo para quem usa ônibus
A proposta é zerar a tarifa do transporte urbano aos sábados, domingos e feriados em todo o país. Ela ainda não está valendo.
A novidade desta semana é a discussão sobre o custo. Uma reportagem da Folha de S.Paulo, citada pelo Brasil 247 em 7 de novembro, reuniu as contas do governo, das empresas e de analistas. Elas não batem.
O texto foi enviado ao Congresso em 21 de outubro. Já mostramos a situação da proposta na Câmara nesta reportagem sobre a tramitação.
Quanto cada um calcula
Valores por ano, segundo a reportagem:
| Quem calcula | Estimativa | O que inclui |
|---|---|---|
| Ministério das Cidades, com o Ipea | cerca de R$ 11 bilhões | estudo de 100 municípios, ainda a ser publicado |
| Governo, recurso proposto | cerca de R$ 12 bilhões | 26,8 por cento das emendas obrigatórias |
| XP (Tiago Sbardelotto) | cerca de R$ 16 bilhões, em cálculo preliminar | todos os modais; ele avalia que os R$ 12 bilhões podem bastar para ônibus urbanos |
| NTU (Marcos Bicalho) | R$ 17 bilhões a R$ 20,8 bilhões | o maior valor soma metrô e trens |
João Pedro Leme, da Tendências, avalia que R$ 12 bilhões podem ser suficientes, porque algumas cidades já oferecem a gratuidade. Ele também aponta resistência de parlamentares a vincular cerca de um quarto das emendas obrigatórias.
Por que a conta muda tanto
A NTU parte da demanda. Pelo cálculo da entidade, o domingo tem cerca de 45 por cento do movimento de um dia útil, e o sábado, cerca de 70 por cento. Com a tarifa zerada, seria preciso ampliar a oferta de ônibus em cerca de 20 por cento.
O próprio Bicalho reconhece que os números são aproximados, porque não existe uma base nacional consolidada. Os dados nacionais mais recentes citados por Leme são de 2024.
O governo afirma que não haverá aumento das despesas primárias, já que o dinheiro já está no Orçamento. Tiago Sbardelotto, da XP, vê risco de o Tesouro precisar colocar recursos adicionais.
O que ainda não está definido
Mesmo que a proposta seja aprovada, faltam respostas que afetam diretamente o passageiro:
- como o dinheiro será dividido entre estados e municípios;
- o que a prefeitura terá de cumprir para aderir;
- como os contratos com as empresas serão fiscalizados.
Rafael Pereira, do Ipea, defende que a regulamentação traga medidas de transparência, eficiência e qualidade. Entre as condições possíveis citadas na reportagem estão manter a oferta de ônibus no fim de semana e divulgar os custos de operação.
O que muda hoje
Nada, por enquanto. Quem usa ônibus no fim de semana segue pagando conforme a regra da própria cidade.
Algumas já têm gratuidade própria. A reportagem cita São Paulo (domingos), Brasília, Belo Horizonte, Belém, Maceió, Sorocaba, Cuiabá e Juiz de Fora, além de Florianópolis (último domingo do mês) e São José do Rio Preto (domingos). As regras variam, então vale conferir no site da prefeitura.
Valores da reportagem da Folha de S.Paulo citada pelo Brasil 247, em novembro de 2026.
Perguntas frequentes
O ônibus já é grátis no fim de semana em todo o país?
Não. A medida depende da aprovação de uma proposta de emenda à Constituição e, depois, da regulamentação. Só valem por enquanto as gratuidades criadas por algumas cidades.
De onde viria o dinheiro?
Segundo a reportagem, de 26,8 por cento das emendas parlamentares obrigatórias. Com R$ 44,8 bilhões previstos para 2027, isso daria cerca de R$ 12 bilhões.
Por que as contas são tão diferentes?
Cada estimativa usa premissas próprias. A NTU considera ampliar a oferta de ônibus em cerca de 20 por cento e admite que seus cálculos são aproximados, por falta de base nacional consolidada.
Minha cidade é obrigada a aderir?
Ainda não há resposta. As exigências para adesão das prefeituras e os critérios de repasse não foram definidos.
Quais cidades já têm ônibus grátis em algum dia do fim de semana?
A reportagem cita São Paulo, aos domingos, Brasília, Belo Horizonte, Belém, Maceió, Sorocaba, Cuiabá e Juiz de Fora, entre outras. As regras variam; confira com a prefeitura.
Fontes
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